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Poesias Periféricas

"Vozes da Periferia"

Último abraço

Ao longo das últimas décadas buscamos isolamento,

Nos entregamos cegamente as tecnologias,

Cada um no seu devido quadrado,

Imploramos por espaço,

E hoje temos tudo que pedimos,

Conversamos em pequenos quadrados,

(Quando a tecnologia nos permite)

Seguimos isolados,

E agora reclamamos…

Apenas pelo isolamento não ser uma escolha própria,

Revoltados, furamos a quarentena alegando saudades,

Mais por vaidade de se dizer livres,

Ainda que escravizados pelo sistema e pela tecnologia,

Mas no fundo, isolados e distantes estamos há muito tempo,

Isolado, eu sequer me lembro do último abraço!

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Felipe Hudson

Férias e sonhos

Nosso amor é tão intenso,

Ainda que a sombra dos dias tristes,

Que fantasmas envelhecidos em meu olhar habitem,

Sinto o coração apertar quando vejo seu carro acelerar e partir,

Como se a cada metro um pedaço do meu coração estivesse jogado pelo asfalto,

Sinto aquele último riso alto invadir meu peito,

O acolhimento de um abraço apertado e a pressão contra seu peito,

Sinto o amor!

E ele me deixa aquecido até as próximas férias!

E só nos resta retornar as aulas,

E aprender a esquecer os sentimentos,

Desaprender a amar,

Para aprender a “viver”, como a sociedade nos diz que é a vida,

Cansativa, opressora e difícil de ser vivida,

Aprender que nosso romantismo é tolice,

Que talvez valha a pena a vigarice,

E que apenas o que tem valor monetário importa,

Todo resto são sonhos,

E sonhos não se compram,

E o que não se compra não tem valor em uma sociedade consumista!

Somo apenas românticos,

Com todos os nossos sentimentos e sonhos em uma feira de adoção,

E quem em meio a tanto egoísmo adotaria um coração?

Espero que em breve cheguem as férias…

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Felipe Hudson

Bambuzal

O vento me trouxe uma lembrança boa agora,

De quando tudo era calmaria,

Mas nada era monótono,

O vento trouxe aquele cheiro de mato, sabe?

Aquele perfume de natureza, que você não define se é rude ou suave,

Trouxe aquele cheiro de vida, de erva, de verdura colhida,

Afastou todo cansaço e me trouxe aquela momentânea alegria.

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Leveza, foi isso que o vento me trouxe,

Aquele despertar tranquilo, depois de uma boa noite de sono,

E essa brisa tem dono,

Esse vento foi um presente de minha mãe,

Porque ela é senhora dos ventos,

E não há de ver seu filho desesperançoso.

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Esse vento trouxe aquele afago,

Aquele carinho gostoso,

E as memórias boas,

Coisa de mãe!

Acarinhou seu filho em uma quarta-feira,

Para mostrar que meu carinho e minhas lembranças são recompensados,

Me fez lembrar de uma felicidade simples.

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Aqueceu meu coração com uma brisa fresca em meio ao sol,

O vento me cobriu como um fino lençol,

E me deu esperança!

E o que mais precisa uma criança,

Além de um abraço, um beijo de mãe e esperança?

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Felipe Hudson

Tolerância?

Nenhuma religião é ruim,

Mas não faz mal não ter religião,

Complicado é o fanatismo que congela o coração,

Venda os olhos e causa cegueira,

Empobrece o espírito e separa irmãos.

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Cristãos, espíritas e umbandistas,

Candomblecistas, muçulmanos e budistas,

Nenhum credo traz em si a divisão,

O egoísmo, a ganância e a ambição,

Propagam o desgosto e a contradição.

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Existe religião ruim?

Ruim é ter religião?

Pior é ser ateu?

Não!

A intolerância, a violência e o fanatismo é o que está em questão!

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A intolerância já está errada no propósito de algo tolerar,

Invocar a tolerância é algo pesado sobre um fato que não lhe cabe julgar,

Tolerância não veste bem em uma festa onde o melhor vestido seria a empatia,

Quem sabe combinada com o respeito,

Então poderíamos livres de opressão,

Encher nosso peito de ar e de amor nosso coração,

E soltar um suspiro de alívio e um abraço de compaixão,

Poderíamos conviver e então viver!

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Felipe Hudson

Entre estações

Só a vi uma vez,

E nunca mais,

Acho que era minha alma gêmea,

Mas não é mais,

Nossos olhos se cruzaram no tempo de uma estação,

As portas se fecharam,

As do trem e do meu coração,

Um último olhar se seguiu até que não pude mais ver,

Meu futuro quase se fez,

E por um segundo não pode se fazer,

Foi apenas um olhar,

Foi a sorte que me sorriu, mas preferi estar com o azar,

Me mantive sozinha,

Me restou somente seu olhar.

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Felipe Hudson

Notas e memórias

Um beijo apenas,

É o que eu te peço nessa noite fria,

Preciso preencher o vazio do meu peito,

Coroar de flores minha trilha,

Preciso de algo mais do que estar sozinho,

Preciso seguir de mãos dadas este caminho.

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Aceita meu convite,

Vive comigo uma tarde de domingo,

Afasta a melancolia do final do dia,

Faz da minha noite algo realmente fantástico,

Não permita que eu seja abraçado pelo sarcasmo,

Não me permita apenas esperar a segunda-feira,

Ver a vida passar por inteira.

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Olha nos meus olhos com aquele brilho,

Deixe que minha sorte esteja nas suas mãos,

Que nossas linhas da vida se cruzem,

Que possamos driblar a morte,

Ou que morramos abraçados,

Mas que nossos corpos se completem.

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Não sejamos notas e memórias,

Que nossa história seja completa em um dia,

Uma seresta,

Livra-me da sociedade funesta,

Venha comigo e proteste!

Não aceitemos o deserto de ódio,

Nem o silêncio entre os prédios.

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Felipe Hudson

Olhos areados

O dinheiro escorria pelas mãos como areia,

Quando se pega um punhado nas dunas e o deixa correr entre os dedos,

Os grãos se juntam novamente ao monte,

Parece vã a decisão de tentar separá-los,

Como o povo, a areia é bela quando está unida,

Quando compõe a paisagem,

Ou quando se junta formando a massa que estrutura as casas.

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Um único grão de areia perdido,

Onde quer que esteja,

Em um chinelo novo ou velho,

Em um copo prestes a receber cerveja,

Não tem serventia, não tem beleza,

Trata-se apenas de um incômodo,

Como o grão de areia que lhe afeta os olhos,

Que não traz nada de positivo, somente lhe agride.

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Assim é o indivíduo isolado,

Que não vive em sociedade,

Ou se quer consegue abrir mão de sua individualidade em prol do bem geral,

Assim como o mísero grão de areia ele não tem serventia,

Não completa a paisagem,

Nem constrói qualquer sustentação,

Nasce, vive e morre como um grão que não germina,

Que não participa de algo maior,

Como um simples e isolado grão de areia,

Incomodando os olhos areados.

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Felipe Hudson

Garrafas jogadas ao mar

Nunca pensei se teria talento,

Apenas escrevo,

Espalho minhas palavras ao vento,

Espero que um dia as encontrem,

E no mesmo pacote estarão meus sentimentos.

Jogo minhas poesias no ar,

Como garrafas jogadas ao mar,

Com mensagens que alguém um dia poderia encontrar,

Que talvez façam sentido para quem as lê,

Ou sejam deixadas em um canto qualquer,

Espero apenas que não naufraguem,

Mas não lhes determino o destino.

Lanço minhas palavras assim como elas me chegam,

Ligeiras, rasteiras e sufocantes,

As lanço porque não consigo mantê-las em minhas gavetas ou estantes,

Preciso compartilhá-las com o mundo,

Embora meu mundo não seja ninguém,

Ou exista gente demais que não cabe no meu coração.

Preciso apenas escrever corrido,

Sem pensar e nem sufocar sentimentos,

Preciso aproveitar o momento,

Lançar minhas garrafas ao mar e torcer para que as ondas sejam grandes,

Que as garrafas sejam fortes,

Mas que se abram com facilidade diante de um bom coração!

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Felipe Hudson

Raízes do Brasil

Folhas e velas,

Farinhas e carnes,

Óleos e rezas,

Fé e harmonia,

Tambores e magia,

Aromas e temperos,

Cumbucas e terreiros,

Raízes do Brasil!

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Felipe Hudson

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