Os olhos observam o corpo inquieto,

Aguardando o sonoro tocar das cordas,

As mãos dominam o instrumento como se fosse o corpo da bailarina,

Ela aguarda ansiosa, o dedilhar das notas.

 

Sente como se minhas mãos corressem seu corpo,

Ao mínimo som da viola seu corpo baila,

Macio, desliza por todo salão, mas não se afasta,

Fica próxima aos meus olhos.

 

Desfila com seu vestido,

O tecido mole gruda em seu corpo,

Assim como alguns fios dourados de seu cabelo,

Que se prendem ao suor que escorre em seu rosto.

 

Muitos tentam acompanhar o ritmo da morena,

Que pena!

Logo desistem!

Por mais que abracem seu corpo, não dominam seus olhos,

Que fitam os meus em tempo integral.

 

Minha morena dançarina,

Menina traiçoeira,

Bailarina,

Mulher do violeiro.

 

Pobre violão,

Sofre na mão do cantor,

Que pensando ser sua amada o abraça com vigor.

Que vigor!

  

Corre as mãos pelas cordas como quem acaricia o cabelo da amada,

Ó violeiro!

Seus olhos fixos nos meus,

Parece que não se importa com quantos dancei,

Assim como não me importo com suas músicas.

Por mais que todos ouçam, são todas pra mim,

É assim!

 

O que me importa são seus olhos fixos aos meus,

Enquanto a música toca.

Violeiro, bailarina,

Bailarina, violeiro,

O casal do baile,

O baile inteiro.

 

Despertos em seus sentimentos,

A bailarina e o violeiro,

Entregues ao desespero,

Abandonam os acordes e os passos da dança.

Desfilam pelo baile lado a lado,

Ao som apenas dos corações ritmados,

O baile, a bailarina e o violeiro!