Vivemos uma alucinação constante,

Alguns se alucinam com dinheiro,

Outros com amores,

Outros com religiões,

Alguns com bons livros,

Outros com drogas,

Alguns se alucinam em mentiras,

Alguns misturam tudo,

Outros um pouco de cada,

No fim todo mundo é louco, pelo menos um pouco!

 

Tem gente que viaja em um rosto,

Desde o pescoço até o último fio grosso da sobrancelha,

Se perde nas voltas da orelha,

Caminha pelo perfume dos cabelos,

Desliza seus dedos sem jeito,

Observa o colo, os seios,

Com receio e com desejo!

 

Outros viajam nos beijos,

No calor dos lábios,

No ensejo de aproximar-se da carne,

De sentir o perfume do hálito,

De se perder em toques de língua,

Não morrer a míngua de um beijo desejado.

 

Conheço quem viaje calado,

Na imensidão de seu mundo abalado,

A espera de ser beijado ou quem sabe ao menos encontrado,

Querendo ser desejado de um jeito desajeitado,

Sempre tendo afastado um olhar apaixonado apenas por vontade de reclamar.

 

Há quem não goste de viajar,

Deseja a realidade para caminhar,

Pensar, lutar, chorar, gritar, mas nunca se alucinar.

Quer estar acordado, mesmo que seja o único,

Mesmo que seja para não compreender,

Mesmo nunca sendo compreendido,

Quer ser realista, mesmo que isso lhe custe a vida!

Que viagem alucinante!

 

F.T. Hudson