O que se faz interessante em um ser tão desinteressado?

O que me faz pedante mesmo sendo alienado?

Ou seria a alienação o motivo de tanto pedantismo?

 

Há sempre o sofrimento em uma vida pragmática,

Na burocracia que se torna buscar uma vida prática.

Em tempos de um viver tão midiático,

Onde não se encontram muitos sorrisos que não sejam sarcásticos,

Soube de quem cadastra e-mails em correntes apenas para recebê-los,

Somente para evitar à agonia de não tê-los,

E ver sua caixa de entrada vazia,

Dizem que essa é a vida real longe das utopias,

Falam que é como um banho de água fria,

Nos assusta, nos renova, nos desperta,

Mas não seria uma ironia?

 

Que no meio de cem fotos apenas uma me alegraria,

Que de mil e quinhentos amigos apenas dois me socorreriam,

E talvez destes dois apenas um eu socorresse,

E que talvez não fosse uma má ideia que morresse,

Não digo eu, nem meu amigo,

Mas alguém que merecesse,

Apenas para gerar conversa,

Cinco minutos de resenha ou um choro de cinco ou seis horas,

Oras!

Falaram que nesse mundo estresse é necessário,

Uma vida bem vivida não combina com alegria,

Pelo menos não em demasia,

Era assim que ele dizia,

Dias antes de ganhar na loteria.

 

Mal sabia que morreria,

De tanta alegria num infarto fulminante ao ler o bilhete que lhe premiaria.

Que ironia!

E não é que ele tinha razão,

Um segundo de riqueza e abraçou a eternidade com tristeza ao explodir seu coração,

Só por causa de um milhão.

Antes triste estivesse,

Sozinho e pobretão,

Vivo caminharia saudável sem um milhão,

Ou não?

 

Mas voltando a história do tal desinteresse,

Que já fiz até uma prece para pedir que aparecesse,

Não estou mais interessado!

Nem tão pouco preocupado com a vida mais alegre,

Espero que um dia chegue,

Mas espero sem interesse!

 

F.T. Hudson