Por que gosta tanto de falar sobre mim?

Gostaria apenas de saber,

Se em tua vida não há nada melhor a fazer,

Não que tua voz me abale,

Mas no fundo,

Entre ouvir tantas asneiras prefiro que se cale!

Sinceramente,

Não me importa que fale.

Que descreva sobre minha vida,

Mesmo que esta lhe passe despercebida.

Que conte meus passos meus afazeres e meus desejos.

Importa-me que não me consultes!

Que me insultes com suas opiniões próprias,

Com sua visão destorcida,

Ideias fictícias de quem da minha vida não participa!

Me importa que fales sobre o frio, mas que esteja envolto em cobertores de lã,

Que fales de trabalho sem conheceres a tecelã.

Me incomoda seus escritos sobre a fome,

Todos eles pincelados em mesas onde todos comem.

Não gosto que fales sobre a confusão de cores,

Principalmente enquanto esconde-se na brancura,

E encobre o passado de torturas!

Não gosto que fales sobre a mulher em seus discursos,

Que diga que a defende e a trate como um arbusto.

Não quero ser imaginado, nem tão pouco recriado,

Não quero que invente a minha existência,

Que imagine saber o que minha cabeça pensa.

Não quero que seja eu,

Não quero ser você!

Quero respeito às individualidades,

Quero igualdades nas sociedades,

Quero coletividade!

Quero escrever minha própria história,

Quero usar palavras que me agrade,

Não quero ter minhas vontades presas atrás das grades do intelectualismo,

Não quero cinismo,

Não aceito o egoísmo!

Quero me apresentar ao mundo,

Mas quero usar minha própria voz!

 

F.T. Hudson