Corpos dóceis não são sociáveis,
Foram domesticados para viver em isolamento,
Não percebem as manobras para retirarem seus sentimentos,
Não observam o afastamento de suas reais origens,
Fortalecem seu “sujeito individual”,
Abandonam suas trocas socais,
Corpos dóceis são como marionetes,
Seguem os caminhos trilhados por seu mestre,
Fingem não perceber os fios que lhes controlam os movimentos,
Perdem seus corações e com eles seus sofrimentos,
Desaparecem de suas raízes também seus amores,
Convivem e revivem todas as vezes que as cortinas são abertas,
Corpos dóceis sem seus titereiros continuam imóveis,
Não se abraçam por pura vontade,
Não possuem vontade, apenas cordas e amarras,
E são muitos os titereiros, e milhões são os fantoches,
Não falam, não ouvem e qualquer alerta é um deboche,
E se a identidade vale o quanto expande a consciência,
Então não há identidade entre marionetes,
Talvez uma breve identificação com o que determina seu patrão,
E se as mudanças ocorrem por rupturas,
Talvez seja hora de rompermos nossas amarras,
E ainda que como marionetes soltas nos esborrachemos,
Deitados no chão, imóveis, seremos nós mesmos,
Na certeza que não mais seremos erguidos,
Não por cordas, nem por amarras,
Talvez por nossa própria força,
Não mais por docilidade e adestramento,
Mas por vontade de caminhar,
Nosso próprio caminho,
Juntos ou sozinhos!

Felipe Hudson