O caminhar solitário,
Caminhar de quem não divide seus honorários,
De quem almeja um bom salário,
De quem julga a má sorte do que nasceu “otário”,
De não ser tão esperto filho de proprietário,
De uma empresa de explorar proletário,
Conheço esse cenário!
Sigo adiante,
Cansado de atuar como coadjuvante!
Cansado dos olhares solitários,
Dos prisioneiros de armários,
Temerosos dos sociais julgamentos,
Nas ruas apenas rostos cobertos,
São mascaras de sofrimento,
Não falo de pobreza, mas da mesquinharia de sentimentos,
A economia de compartilhar o amor, a piedade e a dor,
Olhares perdidos em seu egoísmo,
Na busca constante de empilhar objetos em estantes,
De cobrir o corpo com colar de diamantes,
De destinar ao próximo um olhar arrogante,
Desfilando com seu estilo pedante,
Sem ao menos perguntar ao filho como foi seu dia,
Não se preocupa em proporcionar a si mesmo alegrias,
Quem dirá o que dará à suas crias!?
Quer apenas iguarias,
Um jantar de burguês com dez mil companhias,
Se mostrar inteligente lendo resumos de filosofia,
Assistir vídeos do Cortella como se fosse Ana Maria,
Tornar regras suas mesquinhas manias,
Acreditando que o mundo reflete seu dia-a-dia.
Conheço sua vida e não é feita de poesia,
São contos baratos a respeito de hierarquias,
Não causam em meu mundo idolatria,
Não motivam meus jogos na loteria,
Não atrapalham minha fala,
Não desejo comer qualquer coisa que custe uma “bala”,
Apenas porque passou pelas mãos do tal Chefe “Atala”,
Não me fascino por esta “mala”,
Não cavaria para meu corpo esta vala,
Continuo caminhando,
E a mente versando! Conversando!
Poetizando!

Felipe Hudson