Tudo estava parado,
Um caminhar desanimado sobre a mesmice diária do debater sem se ter o que dizer,
Olhava-se para os lados,
Buscavam-se aliados,
Um sentir-se desesperado por manter tudo parado,
Mas alguém resolveu quebrar o acordado,
Não parecia ter muito gingado, mas ao ser convidada para dançar tomou o baile de assalto,
E em meio a acusações tão cansadas,
Novas versões foram abordadas,
Surpresos ouvimos,
E aí nos apaixonamos pelo soar agressivo das palavras,
Nos identificamos com a rebeldia guardada em seus versos,
E sentimo-nos vingados por seu discurso,
Sua boca proferia sábias palavras,
Textos que ludibriaram o tal letrado e o deixaram perdido em seu entendimento,
São sorrisos tímidos que seguidos de duras expressões calam o mais sem graça comediante,
E no mesmo instante tocam o coração órfão que não se sente mais representado,
Aos poucos conquista seu espaço na multidão,
O que antes era visto como coadjuvante mostra seu caráter para nação,
Desenrola suavemente suas ideias e menospreza o deboche tosco do adversário,
Que espera sentado que o braço de seu avô o guie para algo mais que a terra do leite,
Mas vê longe sua capacidade de deleite ser atropelada por sinceras palavras,
E sua candidatura jazer em uma cova,
“Linha auxiliar do PT, uma ova!”
Foi como ofertar um buquê de rosa,
Um abraço faceiro,
Um desamordaçar do povo brasileiro.
E eu que nunca me agradei pelo colorido do tucano,
Que sempre sem o menor engano me achava “treze”,
Vi tremer minhas certezas,
Meu coração se absteve,
E em minha consciência raiou um sol,
E me aqueceu em cinquenta graus.

Felipe Hudson