Apoiado na mesa,
As mãos seguram-lhe a cabeça,
O álcool tirou-lhe toda destreza,
Os pensamentos românticos lhe encheram de beleza,
Seus olhos os cercam de amigos,
Sua mente o preenche de certeza,
O Bar do Zé está repleto de clareza,
As cadeiras antes tão pobres transformaram-se em madeira nobre,
A menina antes estranha tornara-se uma modelo chegada da Alemanha,
Sua barriga tanquinho está caída sobre o cinto,
Não se importa tanto com o tamanho de seu pinto,
Não se recorda há quanto tempo não o enxerga,
A porção de batatas engorduradas são iguarias parisienses,
Seu José nem parece assim tão cearense, ou seria amazonense, quem sabe canadense?
Os vagalumes voam pelo restaurante,
Um pouco cascudos e com luzes não tão berrantes,
Bebidas chiques feitas de cana enfeitam sua estante,
Cidadãos requintados desfilam seu cambalear dançante,
O banheiro imundo não lhe parece repugnante,
Sua vida errante não lhe parece tão errada,
O dourado do ouro está no fundo da privada,
No fim da noite a ela quer estar abraçada,
O que tornara sua vida pacata tão agitada?
O que fizera dele um magnata?
O que lhe tornou um autodidata?
De braços erguidos ele grita ao mundo:
Foi Cachaça!!! Ca-cha-ça!!!

Felipe Hudson