Olhar à espreita,
Lua cheia,
Toda cheia,
Bola de meia,
Rola na areia,
O luar preenchido a água clareia,
O vento rodeia,
As folhas passeiam,
Sentado na rede,
Espera a sereia,
Olhos fixos na parede,
Lábios cortados de sede,
Sedento por beijos,
Sufocado em desejos,
Procura uma brisa,
Algo que suaviza a solidão e a ojeriza de estar abandonado,
Sob a luz da lua jogado,
Mas em boa companhia,
Ainda que sobre águas frias,
Tem o luar como harmonia,
Ela com maestria apresenta-se cheia,
Linda em sua plenitude,
Traz-lhe paz,
Não lhe cobra atitudes,
Apenas clareia,
E em tempos de trevas, o que mais valeria?
O que impulsionaria tamanha ousadia,
Que não fosse a luz que “alumia”,
A lua cheia que traz a poesia.

Felipe Hudson