Um anjo criolo me contou através de versos,
Algo de um tom perverso que causou espanto a primeira vista,
O tal rimador angelical,
Afirmou que em tal local não havia amor,
E quanta dor senti ao ouvir isso,
Ao saber que com o sentimento se rompera o compromisso,
E que ao abandono solitário de nossos dias estávamos destinados,
Todos os dias seriam dias de finados,
Fim dado ao amor o que nos sobraria?
Que monotonia seria nosso dia a dia,
Sem companhia e sem amar!
E que triste fim saber,
Que o acalanto de viver,
É que não preciso morrer para ver Deus!
O que adianta isso para um povo ateu?
Que ao dinheiro toda vida de orações rendeu,
E até o mísero sentimento comprou e o amor corrompeu,
E corrompido, morreu!
“Antes ele do que eu!” – disse Romeu,
Que atualmente por amor não morreu,
Porque sendo o amor algo inexistente,
Por Julieta nada sente então sua família não entristeceu.
E onde a vaidade excita e a ganância vibra como me soprou o anjo,
Não há esperanças de conhecer o céu,
Não há beijos de mel,
Não há contos de fadas,
Todos são vistos apenas como degraus de uma escada,
E ainda que descendo morro abaixo,
Todos só desejam subir!
Mas para onde?
Sem amor?

Felipe Hudson