Foi por pouco,
Que caminhando distraído em meio ao sufoco,
Respirei, não pensei e segui.
Desatento em dias cinzentos não compreendi meu papel,
Não recebi meu texto para gravar a cena,
E se recebi a importância do papel era tão pequena que perdi o roteiro,
Tive que caminhar ligeiro, mas sem direção,
E foi por pouco!
Por muito pouco que um diretor louco não percebeu minha falta de talento na atuação,
Era um desalento,
Um tremendo sofrimento ver alguém caminhar por palcos com tamanha desatenção,
Um desinteresse, uma reclusão,
Mas só foi por estar despercebido que escapei por pouco,
Pois como diz o Kleber Cavalcanti que na infância driblou os poucos livros da estante:
“O que nos salvou foi nossa completa ignorância e falta de adequação a normas do jogo que estão justapostas aí!”
Era tipo isso que da boca dele eu ouvi,
E não mais esqueci!
Tamanha sapiência ter a paciência de entender que me excluindo me protegi,
Que bom que logo cedo não entendi!
Que andando na margem não me molhei nesse rio,
Na correnteza não sumi,
Apenas caminhei distante de tudo,
Como um filho sortudo que não teve a visão atordoada,
Nem a fala amarrada,
E posso gritar para o nada,
O tudo que eu quiser,
E ainda que ninguém escute,
É melhor do que gritar o que não se acredita para todos aplaudirem.

Felipe Hudson