Chorava por seu amado,
Não se tratava de um simples lamuriar contemporâneo,
Não vertia lágrimas pelo presente,
Não lhe chateava o marido ausente,
Não lhe entristecia a morte do amado,
E sim a finitude do passado que jazia aos seus olhos.
Chorava sim,
Mas chorava a morte do antigo,
Chorava o enterro do vivido e do não vivido,
Chorava a saudades do que se foi e do que poderia ter sido,
Entristecia-lhe o “não será”,
Ali deitado e o corpo velado,
Estirado em uma capsula de madeira,
Para alguém seria besteira,
Mas jazia ali a morte,
Não em termos de pessoa física,
Jazia a esperança,
Ressuscitava-lhe a lembrança de que muito ali também morria,
E que imensa ironia,
Morriam-se histórias,
Sentimentos que não mais voltariam,
Não lhe importava realmente o que ali jazia,
Importava-se que um pouco da memória morria,
E como doía tal perda,
Como doía enterrar tal amado,
Como sofria ao cobrir de terra o passado,
Como sofria!

Felipe Hudson