No compasso do metrô,
Pisei em alguém e alguém me pisou,
Empurrei quem estava na frente porque alguém me empurrou,
Estava quente o vagão porque alguém em mim encostou,
Encostei-me a alguém pra também passar calor,
Na próxima estação ninguém saiu,
Mas um entrou!
E nas outras vinte paradas algo semelhante rolou,
No fim das contas não lembro quem primeiro encostou,
Não recordo quem empurrou e quem em meus pés pisou,
Só sei que desumanizei o José porque o João me desumanizou,
E nessa troca de carícias novamente ninguém ganhou,
Uma pena que na hora de votar ninguém lembrou,
Do roça-roça, do rala-rala, e do safado que te encoxou,
Por machismo, falta de educação ou por impunidade em nosso metrô,
Será só no metrô?
Dizem que é culpa da esquerda que o trem não funcionou,
Outros que é da direita que a licitação não investigou,
Mas amanhã nos encontraremos amassadinhos e com calor,
Teremos que nos suportar por ódio ou por amor,
Só peço que pra ajudar me faça um grande favor,
Não use aquele perfume que hoje você usou,
Não gostei do cheiro na minha camisa,
E o povo do trabalho também não gostou.

Felipe Hudson