Sacadas,
Nunca utilizadas,
Panelas,
Para status,
Com nome francês,
Vaias,
Elites,
Brancas,
Discurso,
Educação em desuso,
Ofensa às mulheres,
Colheres,
Que batem em frigideiras,
Sempre cheias,
Manipuladas por mãos calejadas,
Mãos vazias,
Consignadas à elite por míseros centavos,
Por muitos chamados de salário mínimo,
Que serve minimamente para se alimentar,
Sem exagerar,
Apena para não subnutrir,
Porque tem que bater panela,
Tem que bater palmas para a elite sorrir,
E pra quem chama a própria mãe de piranha,
Xingar a presidenta pouco me estranha,
É só mais uma façanha da criança criada à picanha,
Do moleque especialista em manha,
Que na mínima chance de abandonar um pobre se assanha,
E que sem nunca um peixe ter pescado,
Vive a recitar tal ditado,
De que deve ensinar o pobre coitado,
E não entregar de mãos beijadas o pão pelo diabo amassado,
Este deve sofrer pra ser conquistado,
E se o pão está dormido,
Mais dormido do que por quem será comido,
Pouco importa!
E se quer para o sanduíche algum recheio,
Que seja recheado de ódio,
Porque para elite branca na vida do pobre não existe pódio,
A vitória não é uma expectativa,
Para eles basta que o miserável encha a barriga,
E pode ser de vento,
Não há remorso,
Não há alento,
Há apenas ódio aos necessitados,
Em Moema, fundos de panelas amassados,
No Ângela, fundos de panelas raspados,
E afinal,
Quem são os alucinados?

Felipe Hudson