Panelaço na quebrada,
Até panela “Le Creuset” está riscada,
Minha consciência “prato feito” foi abalada,
Vi colheres de madeiras baterem em panelas já riscadas,
Panelas que anos atrás não tinham nada,
Se tinham,
Era mistura pouco variada,
Até as panelas surradas estavam naquela batucada,
Será que foram iludidas pelo “teflon”?
Será que acharam que só isso não tava bom?
Se pensaram dessa forma, então tudo bom!
Não há problemas em não se acomodar com o “teflon”,
Pode almejar cerâmica ou algo de outro tom,
Só não se pode esquecer quem colocou no seu armário a panela a de “teflon”,
Que um dia foi o seu sonho,
Mas hoje não parece tão bom.
Talvez seja bom lembrar-se da época que mal tinha pão,
E talvez duas panelas pra fazer o “arroz com feijão”,
Uma panela era média e a outra de pressão,
Se tivesse ovo,
Tinha que esperar pra fritar na repetição,
O ovo tinha gosto de arroz,
Outra hora o bife tinha gosto de feijão.
Bife?
Desculpa, esqueci que o ovo era exceção,
Bife tinha muito,
No churrasco do patrão,
Patrão?
Verdade! Emprego era raro naquela situação,
Mas rolava uns bicos, uns quebra-galhos,
Só não falem em estabilização,
Eram tempos difíceis,
Quando tinha era uma televisão,
Com problemas na antena,
TV a cabo tinha não!
Cabo só de enxada,
Que a gente puxava como ganha pão,
Carro só de polícia que a gente evitava sem muita opção,
Faculdade?
Não tinha nessa época,
FIES era caro e PROUNI ilusão,
-Não existia isso não!
Eram tempos difíceis,
Mas me lembro de já ter muita corrupção,
Teve na colônia, na república, com Vargas e até JK,
Que uns falam que morreu,
Outros viram alguém matar!
E por falar em matar,
Depois do Jango isso iria rolar,
Até gente na rodovia soube que foram enterrar,
Deixa isso pra lá! Eram os “bons tempos” do regime militar,
Tem gente que torce pra voltar,
A maioria não pode nem lembrar.

Mas com o passar do tempo e com o tempo passar,
A memória costuma pregar peças e o bom senso costuma falhar.
Mas voltando as panelas,
Depois foi tudo acalmando,
Deu pra comprar carro do ano,
Deu pra ver o filho estudando,
Deu pra colar filho até na faculdade do patrão,
Que Patrão?
-Ah…depois teve emprego melhorou um pouco a situação!
Deu até pra comprar uma panela dessas novas de pressão,
Panela elétrica, celular, tudo de última geração!
Até essa de teflon que usaram no “batucão”!
De cerâmica não!
Pena que misturaram toda a história,
Colocaram os benefícios no mesmo cozido da corrupção,
E tem gente esquecendo-se dos tempos que só no seu bairro tinha apagão,
Eram tempos muito difíceis,
Que pra cuidar de seus filhos era mandado o esquadrão!
Mas com barulho que vem da varanda,
(Hoje eles têm varanda! Antes não tinham colchão!)
A elite ensurdece a população,
No final talvez sobre algum carro e uma panela de barro aqui no Capão.

Felipe Hudson