Entre um pente de cabelo e um pente de 380,
Entre uma vida que se vive e uma vida que se aguenta,
Entre a faca de sashimi e a faca que as vísceras arrebentam,
É um caminho torto, poucos saem, mas muitos entram!
E tem quem não teve escolha,
Aquele que entre as opções estava apenas não escolher,
Que podia se alegrar em não morrer,
Ou se por dó algo receber,
Não havia carga leve ou pesada,
Havia muito pasto e um cabo de enxada,
E cada minhoca encontrada,
Ao padrão era entregue,
E mesmo assim um copo de água talvez o senhor o negue,
Sem pestanejar!
Para o “sem escolha” não lhe resta nem ao menos sonhar,
Resta a penas caminhar,
Sem imaginar um dia sua terra arada,
Pelas próprias mãos calejadas,
Que às vezes não tinham apenas calos, mas de sangue estavam encharcada,
Por fazer o serviço sujo de quem estava em sua casa,
Grande, espaçosa,
Vivendo de Chandon e prosa.
Este teve escolhas entre bombons ou rosas,
Teve oportunidades de se perder em vantagens,
Ou aspirar uma carreira,
No sentido que achar melhor,
Em uma instituição financeira,
Ou em uma trincheira de pó,
Esse nunca de ninguém teve dó,
Ainda assim foi admirado,
Não importa se fez certo ou errado,
Seu império de cartas está montado,
E quem não se encanta?
Em ver a beleza de um castelo de cartas,
Montado com esmero, com muito cuidado,
Quem não gostaria de ver um castelo montado?
E quantos não se deliciariam em velo derrubado?
Vê-lo em pé ou deitado?
Vê-lo ganhar ou derrotado?
Vê-lo humilhar ou ser humilhado?
Se resignar ou crescer revoltado?
Um pente de cabelo ou um pente de 380?
Um livro e uma escola ou a sociedade em desalinho?
Ajuda social ou ter que caminhar sozinho?
Uma caneta e um lápis ou um HK?
Vai me ajudar a crescer ou ajudar a me armar?
Vamos viver de amor ou nos odiar?
Um abraço em qualquer esquina ou uma vala para nos acalmar?
Por falta de oportunidades ou por uma bala ao te assaltar!
Entre sua mãe ou a minha qual das duas irá chorar?

Felipe Hudson