Era uma sociedade que falava de amor,
Lembro-me de quando tocar as pessoas era algo bom,
Ouvir suas vozes era prazeroso,
Digo voz mesmo,
Nada gravado em aplicativos ou breves ligações,
Como era boa a vida sem “pse”, “bjo”,
Pois é, era beijo de verdade!
Poderia se conhecer a cidade caminhando,
Quando pegávamos ônibus errado e tínhamos que descer fora do ponto,
Não havia “Google Maps”,
Não havia “Whatsapp”,
Mas havia algo no coração que não fosse ressentimento,
Acho que se chamava sentimento!
Era dura a vida sem tecnologia,
Mas isso é um mal que se remedia,
Tinha cumplicidade,
Menos fotos, menos vídeos,
Mais privacidade!
O que não significava isolamento,
De modo algum! Muito pelo contrário,
Havia alegria em ter amigos presentes,
Tinham-se poucos adversários,
Comemorava-se até aniversário,
Às vezes rolava ligações,
Outras vezes até cartões,
Mas nada virtual,
Nada disso!
Era tudo bem físico,
Pra guardar na caixinha mesmo,
No fundo do armário,
E na lembrança do coração,
Porque as coisas não eram tão rápidas,
Tudo tinha tempo pra ser arquivado,
E quem sabe recordado com apreciação,
Tínhamos o passado mais a vista,
Poucas fotos, mas cheias de emoção,
Guardadas na escuridão de um armário quarentão,
Tínhamos mais respeito pela vida,
Quem sabe admiração pela oportunidade cedida,
Não se pensava tanto em ser artista ou quem sabe futebolista,
Não precisávamos ser tão saudosistas!
Éramos felizes,
Talvez menos pessimistas!
Não gostávamos apenas das manchetes,
Apreciávamos ler toda a revista,
Entender a notícia pra só então discutir,
Ou se não entender se omitir e a leitura repetir,
Tínhamos tempo,
Nem que fosse para joga-lo fora,
Mas pelo menos nós tínhamos!

Felipe Hudson