O som acalma,
Preenche a alma,
Ou a esvazia,
Porque às vezes o esvaziar extasia,
Preenchida de desespero a alma opta pela covardia,
Tem épocas que é melhor que ela esteja vazia,
Tranquila,
Vivendo a calmaria!
Essa geração se acostumou a preencher completamente seus horários,
Não existem lacunas para relaxar, respirar, optamos pelo sufoco,
Sim foi uma escolha,
Não percebemos, mas existia outra opção,
Aliás, ainda existe!
Por mais que o dinheiro nos despiste,
O desejo de sucesso nos despiste,
A opção de respirar ainda existe,
Embora você também despiste,
Respire fundo,
Preencha os pulmões com ar,
Não importa se é puro,
Esvazie sua mente de tudo que é duro,
Mas preencha seus pulmões,
Esvazie seus horários,
Não se importe tanto com honorários,
Evite problemas coronários,
Prefira às vezes ser otário,
Não se preocupe em perguntar “que Mário?”,
Não se impacte com a suposta derrota,
Afinal o que seria mesmo a vitória?
Seria para o Fábio o mesmo que é para a Glória?
Seriam os mesmo quadros o que as pessoas diferentes guardam na memória?
Sendo tão diferentes para tudo,
Esperar resultados tão semelhantes não lhe parece absurdo?
Pedir que um cego literalmente enxergue,
Ou que escute perfeitamente um surdo?
Os limites são diferentes,
De repente não haja limites,
Mas há opções,
E diferentes motivações,
E também existe o ar,
E em quanto eu puder quero respirar!

Felipe Hudson