Não existe desastre pior,
Existe desastre,
Assim como existe morte,
Pior, ou melhor, é morte!
Um corte na linha do tempo,
Corte na alegria ou no sofrimento,
Mas um corte!

Disseram que não existia “mais ruim”,
Existia pior,
Ou era pior ou era melhor,
Às vezes mais ou menos,
Nunca “mais pior”,
Nem tão pouco “mais melhor”,
Ou era bom ou ruim,
Ou pior ou melhor,
Ou mais ou menos!

Não haveria tragédia maior,
O abalo do Nepal,
Não seria pior do que o abalo do João,
Com o cachimbo na mão,
Aceso e jogado no chão,
Não seria não!

O problema do João é que chama pouca atenção,
Soterrado em pedras que acendem e apagam e entrando em convulsão,
Escondido na fumaça de sua doença,
João é invisível,
Seu problema é indivisível,
Não é como no Nepal,
Não impacta de forma geral,
Talvez só no local,
O local onde João se deita,
E atrapalha o que a sociedade julga normal.
Só lhe desejam o mal,
Ou que encontre logo seu final,
Não como no Nepal,
Mas que morra sozinho.
Afinal,
João não é do Nepal!

Felipe Hudson