O intelectual e sua intelectualidade,
Um conjunto de verdades que não permite contestação,
Se pudesse ele provar que deus não existe,
Faria isso num chiste,
Com a rapidez que a sua intelectualidade permite,
E um misto de poder e satisfação.

Grande seria então a ironia,
De que retirando de deus sua magia,
Para ele próprio reivindicaria,
Todo poder e toda maestria.

O intelectual,
De deus brincaria,
Sempre sabichão,
Seu feito endeusaria,
Ainda que não saiba a maioria,
Do que realmente seu feito trataria.

Copias baratas de outros copistas,
E de cópias em cópias deixam suas pistas,
Resquícios de sua enganação,
Sempre disfarçadas de erudição,
Nas falas de um sabichão!

Na mente pra eles vazia,
Surge a poesia
Em meio aos versos,
Caminha a ironia,
De que tão moderna academia,
E a produção intelectual tão produzida,
Se me permitem tal trocadilho,
Está engessada como perna quebrada,
E como bússola parada,
Aponta sempre para mesma direção,
Não aceita interrogação!

Se soubessem os deuses gregos,
O poder de uma cadeira acadêmica,
Os postos de deuses rejeitariam,
Apenas pela ironia,
De se ter mais poder nas universidades,
Do que no olimpo teriam.

Um concurso,
Destes que de joelhos se juram justos prestariam,
E professores universitários se tornariam,
De suas cadeiras criticariam o mundo,
Os humanos menosprezariam,
E seus alunos escravizariam,
Tudo pelo bem da intelectualidade,
Pelo bem da universidade,
E para um ensino com democracia,
Assim fariam os deuses,
Ou melhor,
Os professores das academias.

Felipe Hudson