A bala da sociedade perdida,
Sempre acha a cabeça ou a barriga,
Quente como a lágrima caída,
Que gela ao chegar no queixo escorrida,
Assim como o sangue que fervia nas veias,
Mas escorre agora no chão gelado,
Onde ficará colado, impregnado,
Até o passar da vassoura e do balde d’água,
Que esconde a sujeira, mas deixa marcas,
E não apazigua a alma,
De quem tomava sua cerveja com calma,
E caiu na chacina,
Sem tempo pra despedidas,
Sem beijar suas meninas,
Sem curar suas cismas,
Caiu sem passagem,
Mas virou bandido pela imagem
Retratada em uma mídia covarde,
Que prefere exaltar o amarelar da burguesia do que o sangrar negro da periferia,
Das crianças sem pais e dos pais sem filhas!
Esconde a chacina do dia a dia!

Felipe Hudson