O corpo deitado,
Estirado no chão molhado,
Desprotegido,
Vivo, porém, sem vida,
É transparente para a sociedade corrida,
Seu cachimbo de crack não permite acolhida,
Suas histórias não despertam interesse,
Seus interesses foram tragados pela guimba,
Guimba que segura a pedra,
Pedra que descontrói a vida,
Vida que caminha sem alma,
Alma que interessa a poucos,
Nem pastores, nem monges, padres tão pouco,
Seu corpo jogado só interessa quando ocupa um espaço,
Caso o seu deitar impeça o comércio,
Caso seus restos bloqueiem alguns passos,
Sempre apressados,
Sobra pouco caso,
Sobra culpa ao acaso,
O descaso da má sorte,
No aguardar da morte,
O craqueiro vegeta,
E espera que no céu tudo seja mais calmo,
E que pelo menos por lá encontre viva alma,
Por mais contraditório que isso pareça,
Alguém que ao menos não vire a cabeça,
Ou lhe ofereça algo que aqueça,
Algo que não seja desprezo!

Felipe Hudson