No sentido da caminhada,
Da Consolação ao Paraíso,
Nos passos da Paulista,
Me encruzilho com a Augusta,
À esquerda há quem sorria,
À direita há boêmia,
Nos dois lados pode haver poesia,
Mas a esquerda é mais criativa,
A noite é mais ativa e a vida mais verdadeira,
Tem bebida, correria, bandalheira,
Tem cultura, prostituição e roubalheira,
Tem beleza, seja qual o conceito se anseia,
Tem gays, héteros, trans, novos e velhos,
Pretos, pardos ou brancos,
Mas não há democracia,
Não como o Freire dizia,
Retrata a vida!
Tem de tudo, mas para todos um lugar determinado,
Todos têm sua posição,
O garçom é negro o branco é patrão,
Prostitutas são pobres e com pouca formação,
Se fossem ricas seriam garotas de programa,
Os clientes são classe média ou alta e tem sempre razão,
E ainda tem quem põe ordem, quem escreve as regras: o tal cafetão!
Faz o que o Estado se nega: “dá proteção”!
Do lado esquerdo também tem bêbado, mendigo e falastrão,
Tem sorriso em meio as bebedeiras e choro abraçado ao colchão,
“E do lado direito?”
Lá todos dormem tranquilos, naturalmente ou por medicação,
Todos dormem o sono dos justos sem refletir as injustiças,
Sem pensar na população,
E continuarão assim enquanto não se atravessa a Paulista,
Enquanto não há revolução!

Felipe Hudson