Como tentar segurar a areia,
Em um vento que vagueia,
Forte!
Desnorteia e escapam entre os dedos,
Os grãos de areia!
O vento corta,
Gela as orelhas,
Seca os olhos,
Desnorteia!
Como tentar segurar um gole de água entre as mãos,
Caminhar por quilômetros,
Ver o rastro no chão,
De pingos em pingos ela se esvaiu,
A água!
Não há controle,
Não há domínio,
Acordar na segunda sem a certeza de um novo domingo,
Escapa pelas mãos,
Não há como segurar,
Perde-se em marasmos e tempestades,
No caminho dito correto,
Nos labirintos perdida,
Escapa pelas mãos do destino,
Escapa entre os dedos da sina,
A vida!

Felipe Hudson