Não tenho mais meus avós, mas tive bons velhos,

Não tenho mais parceiros de dominó, mas tive bons parceiros,

O “mas” se difere do “por que” na falta que nos deixou,

Enquanto o “por que” apenas nos ensinou que algo mudou,

E por isso tenho poucos amigos,

Por que já tive muitos,

Assim como amores,

Hoje tão escassos, pois sobraram na juventude,

Também já tive muita atitude,

(Não que me garantisse plenitude)

Mas por que tinha muita atitude,

Hoje não à tenho!

Não tenho vida boêmia, mas já tive belas noites,

E talvez por não ter mais a jovem vida,

Não tenha medo da morte!

Pois a verdade é que muitos estão mortos enquanto pensam viver,

Afinal, o que seria a morte senão a má sorte de se perder o melhor da vida?

O que seria a morte senão um corte latente na vontade de se viver?

O que seria o não viver senão a própria morte,

E o que seria a sorte?

O viver ou a própria morte?

 

Felipe Hudson