Não havia nada,

Apenas o deserto,

O barraco de madeira,

As bolachas de barro,

Não importavam as frestas no telhado,

Não existia goteira,

Água há muito não se via,

Chuva?

Nem mesmo passageira,

Mas havia vida,

Ainda que quase despercebida,

Ela resistia,

Não vivia só de bolsa família,

Também agia,

Sobrevivia,

Nem se quer registro no censo havia,

Tão pouco água, esgoto, energia,

Neste sertão até a esperança jazia,

Mas por ironia,

O chão rachado nunca chamou atenção da política,

E por que deveria?

Pensar no sertão só atrasaria.

Quem liga para José, João ou Maria?

Com as mesas cheias em Brasília,

Quem para fome ligaria?

Quem se importa se há mesas vazias?

Talvez em ano de eleição,

E mesmo assim tem quem criticaria,

Dois meses de fornecimento de pão,

Após anos de mesas vazias,

No Brasil das diferenças,

No país da covardia.

 

Felipe Hudson