Queria eu um alento,

Que em meio a falta de talento apenas sorte tivesse,

De não viver esperando a morte,

De não ter medo que ela viesse.

Se ao menos um talentinho qualquer eu tivesse,

Que fosse natural ou conseguido por prece,

Algo que o coração gelado aquece,

Um acalanto que não me faça esmorecer,

Que não me deixe morrer enquanto vivo,

E não tem pleonasmo nisso,

Você entende, não?

Pois em terra de gigante sempre tem um que quer ser anão,

E o que há de errado?

Qual o problema de não se enquadrar em um padrão?

Por que tudo do mesmo modo?

Para cada problema uma solução!

Não?

Queria eu um alento,

De estar por alguns minutos desatento,

De escrever menos lamentos,

De ter talento para viver!

 

Felipe Hudson