Se acaso fosse questionado qual o “mal maior” da humanidade, e me perdoem se tal adjetivação parece inadequada ou inaudível, não precisaria muito raciocinar e tão pouco me perder em devaneios para responder prontamente: o individualismo.

A resposta pode não agradar, ou quem sabe gerar debates mais exaltados, mas infelizmente não consigo pensar em outro mal que não seja o tal individualismo, interesse próprio, egoísmo ou qualquer denominação que siga esta linha ou esta tendência.

Talvez no momento atual muitos digam: “Não o grande mal é a corrupção!”. Mas o que é a corrupção senão uma grande prova de individualismo?

Quando se desviam milhões de reais que seriam investidos em educação e projetos sociais, quando abandonamos nossos jovens nas “cracolândias” ou como “aviões” à serviço do tráfico, unicamente para enriquecimento próprio e ilícito o que motiva tal ato, senão o individualismo?

Quando em um relacionamento não somos sinceros com nossas companheiras e companheiros, quando existe traição apenas para satisfazer desejos momentâneos, o que motiva esta ação? O que nos leva a pensar que a satisfação de nossos desejos é uma prioridade perante os sentimentos alheios? A resposta me parece clara: individualismo!

Não arrisco a dizer que o individualismo seja uma característica exclusiva do atual momento, tão pouco que tenha surgido nas últimas décadas, mas arriscaria sim dizer que vivemos uma grande contradição. No momento em que estamos mais conectados, onde podemos estar próximos virtualmente de quaisquer amigos, exatamente neste momento nos tornamos mais individualistas e fechados em nossas tecnologias.

E a armadura das tecnologias criou uma geração agressiva, e com mundos próprios e sobre essa ótica o social parece perder o sentido e por ele também se perde os sentimentos. Gostaria que fosse apenas coisa de momento e que se resolvesse em um “click”, mas me parece que estamos mais perto de um “bug” do que de um “hug”. Vivemos momentos tristes de isolamento e é por isso que este texto está em um blog e não em falas jogadas em uma mesa de bar.

 

Felipe Hudson