Elimina-se as capacidades individuais e os pensares próprios, criam-se culturas de massa idênticas. Extermina-se o conceito de arte e exalta-se o conceito de negócio. Manipula-se com programas padronizados que enquadram todos como iguais e depois alega-se que esses programas são produzidos dessa forma por que todos gostam do formato, assim como na política, onde as elites e os meios de comunicação tornam o assunto algo maçante e os governantes deixam a população despolitizada através dos baixos investimentos na educação e da eliminação dos debates políticos em escolas e locais de trabalho e depois deste processo de despolitização invertem a chave para alegar que a política não seria algo de interesse do povo, e que este povo seria desinteressado e despolitizado e por isso o país sofreria as mazelas políticas.

A indústria cultural manipula inclusive as divisões de classes ao criar produtos em segmentos diferentes. Nesse momento busca-se não tanto distinguir produtos por qualidade, mas sim criar grupos de consumidores distintos dentro da sociedade. Cria-se uma divisão de classes por consumo. Os modelos onde somos inseridos pela indústria cultural e pelas elites reduzem drasticamente nossa multiplicidade, nossa capacidade de ser diferentes. Esses “moldes”, geralmente conservadores, potencializam nossos preconceitos e a dificuldade de lidar com as “diferenças” com o “diferente”, baseados na normalidade ditada pela indústria cultural.

A indústria cultural mantém a promessa de um final feliz que nunca será alcançado. Ela se interessa em manter a promessa e viciar seus consumidores na expectativa de um final feliz, que o motivará a seguir consumindo o produto da indústria cultural, assim como ocorre, por exemplo, na ditadura da beleza.

A “sociedade todo-poderosa” elimina as chances de crescimento de um cidadão, cria situações para sua marginalidade e depois surge como sua salvadora e garantidora do bem-estar e da segurança. O bandido é cria desta sociedade que gera o mal para ter o “poder de cura”, e “sanar o mal” que ela mesmo gerou, eliminando apenas o resultado das desigualdades, mas nunca a causa da desigualdade.
.
.
.
.
.
.
.
Felipe Hudson