Disse o filósofo,
Sobre a democracia da morte,
Onde todos, de certa forma, terão a mesma sorte,
Que este seria o sistema mais justo,
Pois como diria Ariano Suassuna,
Em uma página ou duas,
“Tudo que é vivo morre”,
E a morte igualaria tudo que é vivo em um rebanho de condenados,
Sendo para Churchill a democracia o pior regime, mas o único que nos sobra,
A morte então seria justa obra e a única opção.

Porém,
Uma dúvida sobre o tema,
Me fez pensar sobre um dilema,
Sendo a morte democrática no ato de a todos chegar,
Seria ela democrática na forma escolhida para nos levar?

Mortes violentas,
Populações negligenciadas,
Jovens tem suas vidas ceifadas pela falta de oportunidade,
Haveria então uma morte democrática na terra das desigualdades?
Seria a morte democrática nas periferias das grandes cidades?
No continente africano,
Para o povo negro americano,
Para o brasileiro suburbano,
E para todo aquele que carrega um triste rótulo de menosprezo social,
A morte realmente o tornaria igual?

Talvez a morte seja democrática como diz o filósofo,
Porém talvez não seja democrática sua velocidade,
E a voracidade com que atinge os menos favorecidos,
Ou talvez desfavorecidos,
Que as vezes anseiam pela morte para aliviar o fardo imposto dia após dia,
O fardo da desigualdade e da ironia,
O fardo da vida desigual,
Que não é democrática como a morte citada pelo professor,
E nem sentida por quem se encontra em um elevado patamar social,
Talvez se comparada a vida a morte seja democrática,
Mas só pelo fato de todos morrerem e nem todos viverem.
.
.
.
.
.
.
.
Felipe Hudson