Tentei algumas vezes,
(Sem sucesso),
Jogar xadrez sozinho,
No tempo em que não tínhamos como adversários a inteligência artificial,
(Até que não jogava mal),
Conhecia as qualidades do adversário,
(Da mesma forma que conhecia suas falhas),
Me iludia com uma partida sem novidades,
Inventava algumas verdades,
No fim me cansava,
As partidas se tornavam monótonas,
Faltava alguma coisa!

Depois, passei a me interessar por quebra-cabeças,
(Que no caso quebravam apenas a minha cabeça),
Me entretinha em meio a um sem número de peças,
Tentava, montava, desmontada, desmotivava, largava, voltava e por fim desistia,
Essas tentativas solitárias me consumiam, me frustravam,
Eram jogos enfadonhos, sem simpatia,
Não havia alegria, uma tirada de sarro,
Não havia amparo para continuar,
Entristeciam mais do que alegravam.

Surgiram então os jogos eletrônicos,
E a falsa ilusão de amizade vinda de um computador,
Como se todos tivéssemos uma “Super Vicky”, um serviçal amigo,
Não observamos o perigo camuflado em tal amizade,
Que se escondia em uma verdade construída,
Achávamos que poderíamos ser felizes sozinhos apenas com nossos amigos imaginários,
Mas, e nos períodos do calvário?
E os sorrisos não compartilhados, do que valem?
E a verdadeira amizade que preenche o coração?
E a troca de afetos em abraços e apertos de mãos?
Como completar o grande quebra-cabeça da vida tendo apenas uma peça?
A graça deste jogo está em jogarmos com muitas cabeças,
Em sentirmos com muitos corações,
Caminharmos com muitas pernas,
E quanto se esgotarem as forças: carregar e ser carregado,
E no final teremos todos, belas imagens, lindos quebra-cabeças montados fraternalmente,
Lindas paisagens e linda histórias para compartilhar.
E nunca mais desejaremos a solidão!
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Felipe Hudson