É como poeira no vento,
Por mais que se espalhe deixa rastros pelos cantos,
Deixa vestígios entre as frestas,
Como um corpo seco após o banho,
Sempre úmido,
Assim são as pessoas,
Deixam suas marcas, sua essência, por onde passam,
E por mais que se tente apagar as pegadas,
Trata-se de serviço inútil,
Como secar gelo,
Que mais que inútil, é desnecessário,
Elevação de calvário,
Martírio!
Há que se acostumar,
Que nossa casca é formada pelo compartilhamento de poeira,
As trocas e os resquícios de “nós” que deixamos em cada um formam o todo,
E para sempre será assim,
E seremos sempre a média das pessoas que convivemos,
O resumo de uma história maior,
A história de nossa sociedade,
E esta será também formada por nosso pó,
Sobreviverá apenas por este compartilhamento,
E o todo só sobressairá através dos resíduos,
Como um processo eterno de reciclagem.
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Felipe Hudson