Invejo o trapezista,
Que otimista caminha pela corda,
Contando com o conforto de um abraço macio da rede de segurança,
Caso despenque em meio a andança,
Sabe que ao final uma plataforma o espera,
Com um mínimo de segurança,
Onde poderá repousar da andança.
Diferente do povo,
Que caminha em uma corda que se desfaz a cada passo,
Com os sapatos desamarrados, gastos,
Inapropriados para o equilíbrio diário,
Descamisados e desprovidos de uma vara para o equilíbrio,
Caminham sem sobriedade sobre a corda bamba,
Que não poderia ser mais bamba por tanta frouxidão,
Embaixo? Nada de redes de proteção!
Apenas o chão!
Repleto de migalhas e ossos deixados por nossos políticos,
E enquanto cada pobre escorrega,
Ouve-se o grito histérico e o som de aplausos,
E na interminável fila para o trapézio um a um se levanta da plateia,
Sem perceber que aplaude o próprio futuro.
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Felipe Hudson