O que me entristece não é a conclusão de que o sistema político não funcione,
Me deprime mesmo é pensar:
“ Por que ele não funciona? ”
Imaginar que ele simplesmente não é cabível por propagar igualdade,
E ver que não são direitos para todos que motivam a sociedade,
Não se trata de todos frequentarmos os mesmos lugares,
Trata-se apenas do “Eu”,
Talvez do “Meu”, do “Seu”, mas nunca do nosso!
O plano nunca foi “todos somos um”,
O plano foi cada um por si,
E Deus? Quem falou de Deus?
O plano nunca foi seguir um deus,
O plano foi pobres fiéis e ricos ateus,
Classe média conformada, na esperança de um oásis,
Correndo desesperados e nunca sentindo-se capazes,
Comendo uns aos outros, vorazes!
Os pobres esquecidos e evitados,
Como a peste ou algo desumanizado,
O dinheiro idolatrado,
Os ricos adorados em seus veículos importados,
Com seus vidros blindados e bem fechados,
Lacrados contra a pobreza,
Filmados contra a doença que os espreita,
O menino pobre que não conhece esquerda nem direita,
Que só pediu ajuda da esquerda no terreiro e só conhece essa divisão entre divindades,
Que só encontra força na direita ao carregar seu móvel de engraxate,
E ainda me falaram que existia igualdade,
Que existiria a tal meritocracia,
Mas até hoje só conhecemos a “cracia”,
O poder das elites que sufoca e inunda as mídias com hipocrisia,
A solidão em demasia,
A desmedida covardia,
Que gerará uma dívida,
Essa conta ficará cara,
E na hora de cobrar lembre-se que quem represou os privilégios,
Quem recebeu todas as vantagens,
Pense em quem pagará essa encomenda,
E não haverá sortilégio nem de Leste, nem de Oeste,
Nem do Sul e nem do Norte, de Sudeste, e tão pouco do Nordeste,
Nem de esquerda e nem direita,
Que lhes livre de pagar com a própria sorte!
Essa é a garantia desse Pacto de Morte!
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Felipe Hudson