Corpos desencarnados,
Enraizados em seus trabalhos,
Escravizados,
Em movimento pela cidade,
Movidos pela busca incessante por felicidade,
Talvez por vaidade,
Em conflito com a alma viajada que não aceita raízes,
E que caminha por sonhos,
Busca suas diretrizes,
Alimenta-se apenas de esperança,
Combustível para suas andanças,
Que não acompanhariam um corpo banalizado, esvaziado de sonhos.
Corpos que transitam em seus carros,
Limitam seus movimentos e pensamentos,
Fabricados, edificados,
Construídos por revistas, novelas e seriados,
Nunca julgados em seu conteúdo,
Apenas absorvidos,
Enquanto em respostas estes absorvem seus dias,
Com maestria, ganância, em maratonas de histeria.
Corpos que não ocupam o mesmo espaço,
Aceitam as leis da física e não se importam com próximo,
Diferente das almas que compartilham sonhos,
Que comungam,
Corpos se repelem, buscam seu pedaço,
Para que de posse destes espaços possam se manter cada vez mais afastados.
Corpos que seriam belos se encarnados,
Se por suas almas voltassem a ser acompanhados,
Preenchidos por sonhos,
E não apenas ao consumismo devotados,
Seriam primorosos se apenas fossem livres,
Seriam livres se apenas compartilhassem os mesmos ideais,
Corpo e alma,
Nada mais!
Unidos pelo único objetivo de não terem objetivos específicos,
Apenas liberdade para sonhar,
Se seus músculos fossem utilizados a serviço da alma,
Que jamais se acalma,
E nunca o contrário,
Que nunca o corpo se utilize da alma,
Que não busque aprisiona-la,
Que seja apenas uma relação de amor,
E que a alma nos conduza,
E que sejamos realmente encarnados!
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Felipe Hudson