Chegou o grande dia,
Quem diria,
Achei que faltariam palavras,
Mas nunca imaginei faltar poesia,
Sobrou tirania,
Os sonhos se apagaram, assim como as luzes da sala preparada,
Não se pode esperar mais nada,
Fomos todos sufocados,
Colocados em nosso papel subalterno,
Sem amor materno,
Sem proteção paterna,
Jogados ao marasmo,
Ele era culpado,
Em um país de inocentes,
Era culpado desde que nasceu,
Mas sonhou ser presidente,
Acreditou em sua barba cheia,
Como sua cabeça que transbordava ideias,
Discursou inúmeras vezes para diversas plateias,
Por anos foi bem recebido nos diversos cenários,
Unia a população, os empresários e plenários,
Mas o seu passado não o pouparia,
Eles o desejavam no sistema carcerário,
Onde o pobre é bem recebido,
Onde não há honrarias nem honorários,
E aos poucos foi silenciado,
Por escolher mal seus aliados,
Por ameaçar o status,
Por ajudar os pobres coitados,
Pois se não fossem pobres não seriam coitados,
Se não fossem coitados não seriam humilhados,
E as elites precisam humilhar,
Precisam de cada casta em seu lugar,
Precisam matar para sobreviver,
Precisam de algo matável,
E este sou eu, o cidadão periférico!
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Felipe Hudson