O passeio pelas ruas,
O cigarro queimando contra o vendo,
A cerveja que descia trincando,
A cabeça na zoeira,
O pecado era não curtir,
A heresia era não viver o momento,
Desperdiçar as oportunidades,
A calamidade era voltar para casa sem o perfume de alguém impregnado na roupa,
A derrota era não acordar com o maxilar doendo,
A boca ardendo de tantos beijos,
Só existia o lúdico,
Só fazia sentido a utopia,
Vivendo o presente e comemorando a distância do futuro,
O futuro era certo,
Apenas sucesso, sorrisos, encontros, paz, vitórias, deslumbre,
Sorrisos em uma mesa de bar eternizavam,
As risadas pareciam reverberar pela eternidade,
Os abraços embriagados eram sinceros,
As juras de amizade eterna eram a máxima verdade,
Não importa se regadas a álcool,
Não se falava em realidade,
Aqueles dias eram reais!
Não há dúvida!
Mas de repente veio uma tempestade,
Um tsunami de maior idade,
Um furacão de responsabilidade,
Um terremoto de dignidade e falsa moralidade,
Um dilúvio de busca incessante pelo sucesso,
Um apocalipse de concretude,
E sobrou apenas desilusão,
Acompanhada de solidão,
Sorrisos vazios em breves encontros,
Sobraram apenas justificativas,
Apenas a tal realidade,
E não seria mais honesta a utopia?
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Felipe Hudson