Costumeiramente,
Não aceleramos nossos filmes apenas para saber o final da história,
Sem acompanhar o enredo, as derrotas, as glórias,
Sem ao menos entender as perspectivas de cada personagem,
Sem admirar a fotografia, as imagens,
Buscando seu final rapidamente.
Tão pouco passamos acelerados pelos versos de uma música,
Buscando apenas o refrão ou o momento de explosão,
Até porque,
Não existiria tal explosão sem os altos e baixos dos versos que a anteciparam.
Pacientemente,
Assistimos capítulo após capítulo nossas séries preferidas,
Acompanhamos histórias repetitivas,
Torcemos ao desenrolar das narrativas,
Sofridas,
Imersos em torcida por nossas personagens preferidas,
Não temos pressa que acabe,
Ou pelo menos não tínhamos,
Mas inventaram as tais “maratonas”,
Ansiedade por viver rapidamente o que antes saboreávamos aos poucos,
Não sei em que momento iniciamos estas “corridas”.
“Maratonamos” nossas vidas,
Como se tivéssemos necessidade de descobrir o final,
Não nos preocupamos com o enredo, com o roteiro,
Não nos importa o essencial,
Não nos importa viver,
Apenas aceleramos nossos dias,
O mais rápido possível,
Buscando chegar ao final,
Final que já temos garantido desde o nascimento,
Mas que por esquecimento não queremos aguardar.
Desesperadamente,
Em alta velocidade,
Atropelamos sentimentos, pessoas, momentos, prazeres,
E colidimos com um muro de solidão e um final triste,
Que não entendemos porque simplesmente não acompanhamos o desenrolar,
Queríamos apenas o final, não nos importava o roteiro,
E a nossas vidas tornaram-se filmes baratos,
Esperávamos um “blockbuster”, um filme cult, algo memorável,
Porém, não se criam obras memoráveis sem dedicação,
Não se vive uma vida louvável sem dedicação,
Não existe fim, sem começo e meio,
Muito menos final feliz!
Apressadamente,
A busca por saber o final anda tirando o gosto pela vida,
Em momentos de desespero antecipam-se as obras,
Apenas por desespero, apenas por antecipação,
Apenas por não viver um dia após o outro,
Talvez seja por isso que um grande filme se tornar curta-metragem,
O que poderia ser uma trilogia, torna-se um breve curta-metragem,
Por vezes um comercial de dois minutos,
Que passa despercebido,
Apenas por pressa ou mera distração.
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Felipe Hudson