Em tempos de ódio,
Consome rancor servido em rodízio,
Mata a fome de esperança consumindo rancor,
Depois estranha o mal-estar após as refeições diárias,
A indigestão da alimentação precária,
Sempre farta, mas precária!
Prega a união almoçando em uma mesa vazia,
Nem mesmo os garçons lhe fazem companhia,
Prega a sociedade igualitária,
Mas retira as cadeiras para os que considera diferentes,
Sobra apenas a sua presença,
Isolada,
Prostrada a mesa,
Apática!
Sonha com uma mesa cheia,
Coesa,
Com discursos alinhados,
Mas esquece o cotidiano diverso,
As populações de limitado progresso,
Os esquecidos, abandonados aos restos,
Por quem vive de excessos,
Enquanto nas periferias a vida é escrita por linhas tortas,
E geralmente não se escreve certo,
Porque deus não é um cidadão periférico,
Ultimamente andam tomando Deus das periferias.
E no próximo ano “Todos seremos iguais”!
Desde que o próximo ano seja para a elite branca,
Como sempre foi!
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Felipe Hudson