Nada de Mariana,
Nada de Marielle,
Para ser franco,
No país da impunidade,
Sobrevive o branco,
Padece o cidadão periférico escorado no barranco,
Nada acontece,
O pobre nada na lama e morre,
O pobre dorme sem cama e morre,
O pobre corre e morre,
O pobre para e morre,
O pobre morre,
E ninguém se move!
A lama cobre,
Soterra,
Enterra!
Como se enterram os crimes ambientais,
Como se encobre tudo mais,
Um corpo baleado é só um morto a mais,
Não importam seus filhos, sua esposa, seus pais,
O que importa é o silêncio pós morte,
Entregar o povo saudoso à própria sorte,
Encobrir a ferida e não cicatrizar os cortes,
O importante é selecionar a morte,
E não interessa a causa,
Se o morto nasceu sem posse,
Se os governantes não têm alma,
Se a trocaram por subsídio,
E suas ideologias por prestígio,
E criaram esse litígio no dia a dia,
Tudo feito por gana,
Arrancando do pobre sua pele,
Soterrando Mariana,
Calando Marielle!
Mas não nos calaremos!
Seremos muitos,
Desenterrando escândalos,
Seremos, se necessário,
Vândalos!
Ecoando os dizeres de Marielle,
Pois “as rosas da resistência nascem no asfalto!”
O som será alto,
Ecoará por todo Brasil,
Passará por Mariana,
E desenterrará a vergonha do descaso público!
Isso se fará ao longo das semanas,
Isso se fará por todas as Marianas,
Isso se fará para acabar com esse descambo,
Isso se fará por Marielle Franco!
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Felipe Hudson