As páginas brancas nos convidam a escrever,

São espaços vazios à espera de preencher,

Oportunidades de escrever uma nova história,

Espaços vazios aguardando por memórias,

Prefiro escrever nas primeiras páginas,

Mas evito os versos,

Não gosto de falar pelas costas nem em cadernos,

Prefiro os versos em primeira página,

Mas como cada escolha tem um preço,

Abandono os cadernos pela metade,

Sem apreço,

Talvez como a vida,

Sem muito alarde,

Não por ser desleixado, não por ser covarde,

Não há versos nos versos,

Algumas páginas são abandonadas,

Como alguns dias são abandonados,

Sem regresso,

Dias passados em branco,

Dias sem cor,

Por dentro a dor.

Ao compreender que há apenas um caderno,

Nenhuma borracha,

Um único lápis,

E um número incerto de páginas,

Se torna um desafio escrever livremente.

Alguns são simples livretos,

Outras extensas biografias em volume único,

Alguns se cansam no meio do caminho,

Abandonam longos cadernos em branco,

Outros dariam tudo pela oportunidade de escrever ao menos mais uma página,

Alguns desenham simples rabiscos,

Outros preenchem com letras grandes,

Apenas para completar,

Tem quem escreva com a letra coladinha,

Só para aproveitar cada espaço,

Tem até quem parece permitir que outros escrevam em seus cadernos,

E tem quem por mais que escreva parece ter deixado seu caderno em branco,

No fim o mais interessante é que seu caderno seja compartilhado,

Por isso compartilho palavras,

Por isso compartilho histórias,

Versos,

Por isso adoro cadernos novos,

Embora não goste dos versos das páginas.

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Felipe Hudson