No país que mantém milhares na jaula,

Quase um milhão,

Proibiram o Baile da Gaiola,

Não aceitam que o pobre tenha diversão,

Abandonam as periferias a própria sorte,

Nos deixam como certeza apenas a morte,

Mas não querem relatos sobre nossas mazelas,

Para o pobre silêncio,

Não interessa o que vivo, o que sinto, o que penso,

Importa que morramos,

Todos em silêncio!

Calar o Funk, o Rap, o Samba,

Calar a população que caminha em corda bamba,

Calar, calar e calar,

Sonegando segurança, saúde e vida escolar,

Sonegando ruas asfaltadas para caminhar,

Transporte, infraestrutura e um lugar para badalar,

Em breve se quer poderemos jogar bola,

Proibirão como fizeram com o Gaiola,

Ou será permitido apenas dois toques na bola,

Sem dribles, sem a arte do improviso,

Querem nossa música sem risco,

Sem o que consideram nocivo,

Na verdade,

Só procuram um motivo,

Motivo para nos silenciar,

Nos deixar sem ação,

Querem que a periferia seja um campo de concentração,

Exerceremos dois papeis: a vítima e o vilão!

No país da ilusão,

Calaram o rimador que reclamou do camburão,

Que nas periferias lembra muito um “busão”,

Velho, lotado e com pobre na detenção!

Deixe o periférico cantar a periferia,

E ao invés de cortar nossa ousadia,

Coloque sol em nossos dias,

Aprimoraremos nossas letras através de melhorias,

Nos dê escolas de qualidade, saúde, segurança e moradia,

Acabe com a covardia!

Quem sabe os próximos versos sejam mais como poesias,

Por enquanto fica com minhas falas desconexas,

E com que aprendi na periferia!

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Felipe Hudson