Hoje me senti como nossos governantes,

Caminhava a esmo,

Sem perspectiva,

Pensando suavemente na vida,

Em passos lentos,

Burocráticos,

Caminhava com ares aristocráticos,

Entre um passo e outro,

Olhos cansados,

Avistei uma barata,

Parada,

Inerte,

Aguardando ser pisada,

Mantive-me em dúvida,

Talvez a ignore,

Ou a assuste,

Talvez lhe esmague,

A única certeza é que não lhe acolheria,

Não acariciaria ou tão pouco lhe daria oportunidades de se achar mais que uma barata,

Decidido,

Passei por cima,

Sem tocá-la,

Me senti um bom homem por preservá-la,

Por manter-lhe viva!

Porém,

Em um rompante de arrependimento,

Retornei em um movimento.

De súbito a matei,

Como faz o governo,

Dei-lhe a falsa esperança de sobrevida,

Apenas para que morresse surpreendida,

Quem sabe agradecida,

Pelo que acreditava ser benevolência,

Mas era apenas maledicência,

De uma ardilosa serpente,

Que para os pobres mente,

Os ilude com a possibilidade de sobrevivência,

Mas lhe tira a dignidade e nos abandona à carência,

Aguardando ser pisoteados,

Hora pela elite,

Hora por políticos desalmados,

Que nos tomam tudo,

E nos deixam a morte como regalo!

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Felipe Hudson