A página em branco não assusta,

Assusta a mente seca,

Limitada em pensamentos rotineiros,

Devaneios arruaceiros que atuam como uma bússola quebrada,

Não ajudam,

No pior dos casos atrapalham,

Perdidos em meio a falta de oportunidades,

As ideias atrasadas que nos chegam esgotadas,

Como todas chances herdadas pela quebrada,

Sobra, doação, inutilidades,

Chamadas de oportunidades,

Por quem não as quis e despejou os dejetos na comunidade,

Raridade,

Quando um escapa do destino é a novidade,

Símbolo da tal meritocracia que encobre a mediocridade,

A maldade espalhada pela classe dominante,

Que não se preocupa com os pobres nesse instante,

E talvez se comova em dias gelados,

Seja pelas mortes provocadas,

Ou pelos canos em sua nuca encostados,

Jacos e carros tomados,

Filhos assassinados,

E somente na tristeza encontra-se empatia,

Por vezes nem as tragédias iluminam almas frias,

E mesmo nas periferias tem quem acredita em meritocracia,

Preferem caminhar com cabrestos,

Vivendo de ironia,

Enriquecendo os mais ricos,

Esmagados!

Pobres em sua rotina,

Fracos,

Caminhando nus em dias gelados!

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Felipe Hudson