A escuridão cobre a areia branca,

Soterra o amor e as lembranças,

Contamina as marcas dos pés deixadas na areia,

Se espalha como um vírus correndo pelas veias,

O óleo avança por onde alcançam meus olhos,

Os animais padecem perante um novo desastre,

Se entregam calados após lutarem por suas vidas,

Encobertos na lama preta,

Calados como nossos governantes,

Abandonados pelas autoridades,

Políticos com diplomas acumulados em suas estantes,

Salas infestadas de vaidades,

Mas pouco amor no coração,

Viram as costas para tragédia,

Utilizam o momento como palco para acusação,

Não se preocupam em limpar os oceanos,

Estão acostumados a conviver com uma vida manchada,

Históricos de corrupção, acordos com milícias, cargos de fachada,

Atolam a natureza em dejetos,

Porque viver em meio ao lixo lhes parece certo,

Lhes ofende um único dia serem chamados de honestos,

Gostam de um país funesto,

Sem perspectiva de futuro,

Incerto,

Não suportam a clareza,

Não suportam que tenhamos uma vida branda,

Que possamos deitar em areia branca e sonhar,

Querem nos tomar tudo,

Florestas, praias, escola, estudo,

Querem nos tomar o mundo!

Querem nos manter no submundo!

Querem chamar aposentados de vagabundo!

Querem entregar a Amazônia,

Querem nos deixar com insônia,

Querem nos impedir de sonhar,

E nem em sonhos teremos esperança,

E nem em sonhos pisaremos na areia branca,

Nem em sonhos!

.

.

.

Felipe Hudson