Costumava ver rostos alegres em uma sexta-feira,

Ônibus lotado em meio a suadeira,

Perspectiva de curtir a noite inteira,

A esperança guardada em um céu cheio de estrelas,

A caminhada era dura, mas regada a cerveja parecia mais leve,

Todos sabiam o que esperar no fim de uma sexta-feira,

O dia parecia algo breve,

Um preparatório para a felicidade,

Era sexta-feira em todo canto da cidade,

Não havia menor possibilidade de chorar,

Não havia um único rosto desanimado,

O rádio ligado,

Os olhos brilhavam e a cabeça viajava,

Tinha vida nas veias, sabe?

Aquela paz misturada com desassossego,

Não havia medo!

O frio na barriga não era mau presságio,

Não importava o preço do pedágio,

Atravessaríamos a cidade,

Nessa época nem era doença sentir ansiedade,

Nem era um pecado mortal nossas pequenas vaidades,

Mas hoje não!

Hoje vejo rostos tristes,

Parece que a galera acordou e comeu um prato de alpiste,

Presos em gaiolas,

Não sabem se realmente existem,

Aos menores resfriados não resistem,

Ou se entregam,

Como quem quer morrer,

Como quem se esforça para viver,

Não querem esperar a próxima sexta-feira,

Muitos não param para pensar,

Mas se parassem sentiriam falta da suadeira,

Da ressaca, da caganeira, da derradeira,

Da última, a saideira,

Sentiriam falta de sorrir,

De abraçar, de se despir,

Sentiriam falta da liberdade,

Da paz interior,

De sentir aquela paixão semanal,

O maior amor da vida a cada saída,

Sentiriam falta de ser mais inútil,

Sentiriam falta da sexta-feira e não do quinto dia útil,

Desejariam viver e não só sobreviver,

Aproveitar cada dia e não contar os dias para morrer!

Sentiriam saudade de pensar:

Sextou! O que vai ser?

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Felipe Hudson