Temos um senso de justiça corrompido,

Atropelamos nossos amigos nos espelhando nos inimigos,

Nossa justiça contra a corrupção é chegarmos ao poder para roubar mais que o antecessor,

Ao invés de a corrupção cessar tentamos roubar ou máximo que pudermos para compensar quem nos roubou,

E quem no poder nunca chegar se sentirá prejudicado,

Não por não ter capacidade de mudar a desigualdade,

Mas por nunca ter roubado,

Se sentirá novamente prejudicado,

Duplamente,

Uma vez por não ser beneficiado,

Outra por não ter roubado,

Essa é a roda da fortuna de um povo desumanizado,

Que se acha superior quando doa roupas velhas para um povo descamisado,

Mas que usurpa o direito do mesmo povo através da desigualdade instituída,

Choram pela desigualdade em um filme coreano,

Saem da sessão em prantos,

Mas retornam para casa observando se ficou alguma sujeira pelos cantos,

E só não trancam sua empregada no porão por um único motivo,

Sua casa só tem dois ou três cômodos,

Mas mesmo assim se acham ricos,

Tem receio de sua diarista,

Querem explora-la por mais de dois dias,

Mas tem medo de processo trabalhista,

E comemoram o fim da CLT e dos poucos direitos trabalhistas,

Mas quando chegam no trabalho na segunda-feira rezam para não serem os próximos da lista,

Cometem um suicídio atrás do outro,

Comemorando a demissão alheia morrendo de medo de serem demitidos,

Perseguem por medo de serem perseguidos,

Temos um senso de justiça próprio,

Mas temos um senso de justiça deveras corrompido!

 

 

Felipe Hudson