Para um povo formado comercializando vidas,

O que importa comercializar em meio a morte?

Entregar o povo a própria sorte,

Permitir que convivam com a possibilidade de se contagiar com um vírus letal,

Lhes parece normal,

Como os corpos empilhados em quilombos ou navios negreiros durante o período colonial.

Não há nada de novo em um corpo pobre estendido no chão,

O importante são os comércios fervilhantes,

Como nas minas de diamantes,

Como esperar conscientização?

Construímos nossa história sobre tijolos de desigualdade,

Corpos foram feitos de degraus,

Cabeças enfeitaram postes,

Açoites eram praticados antes e após as missas,

Como uma espécie de ritual,

Matar negros e pobres é uma premissa,

Para uma espécie de ascensão social.

O que lhes causa indignação nesta pandemia?

A indiferença em relação as vidas periféricas para “salvar” a economia?

Ou empregados domésticos em ônibus apertados para que os patrões passem seus dias deitados?

Te espanta o número de contaminados?

Ou um governo desumanizado, interessado nos próximos financiamentos de campanha,

Criando cargos para serem trocados?

A mim não indigna nada!

Somos apenas a continuação de uma “estória” mal contada,

Seguimos pela mesma estrada,

Um tapete de corpos, como os enfeitados no “corpus christi”,

Ladrilhada por mentiras, hipocrisias e histórias mal contadas,

Inventadas!

Mas no país oficializadas e chamadas de “História do Brasil”.

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Felipe Hudson