Quando os olhares se cruzavam,

E por um segundo conseguíamos contemplar nossas almas,

Quando havia calma,

Para sentado em um bar destrinchar nossos carmas,

Em goles de cerveja gelada,

Abraços alcoólicos e choros melancólicos,

Regados a promessas eternas de amizade,

Quando havia menos vaidade,

E vagávamos perdidos pela cidade,

Quando não éramos tão distantes.

.

Antes dos seus olhares,

Antes dos celulares,

Quando as vidas nos importavam,

Quando ainda não importávamos,

Éramos todos mais humanos,

Éramos mais manos,

Éramos mais, mano!

.

E hoje, proclamo que era mais feliz nos braços de Tieta!

Quando meu sonho era ter uma mobilete ou uma motoneta,

Minhas atividades eram programadas pela força do sol ou pelo tempo da chuva,

Quando não me importava tanto com a qualidade das calças e blusas,

Quando apenas vivia!

E o coração dilacerava quando um pequeno amor partia,

Uma simples paixão nos movia e era possível atravessar a cidade por um beijo,

Era possível varar um país sem um ensejo,

Tudo isso foi antes.

.

Antes da nossa falta de olhares,

Antes dos celulares,

Quando as vidas nos importavam,

Quando ainda não importávamos,

Éramos todos mais humanos,

Éramos mais manos,

Éramos mais, mano!

.

Mas algo mudou,

Tudo mudou,

Máquinas, distância, olhares baixos,

Trocamos palavras por textos,

Curtos,

Sempre usando a falta tempo como pretexto,

Enquanto sofremos muito no pouco tempo que nos resta,

Nada é mais como antes…

.

Antes da nossa falta de olhares,

Antes dos celulares,

Quando as vidas nos importavam,

Quando ainda não importávamos,

Éramos todos mais humanos,

Éramos mais manos,

Éramos mais, mano!

.

.

.

Felipe Hudson